Juscelino Filho Suspeito de Relação Criminosa

Investigadores da Polícia Federal (PF) alegam que Juscelino Filho (União Brasil-MA), ministro das Comunicações no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desenvolveu uma relação criminosa com um dos donos de uma empreiteira sob investigação por suspeita de desvios de contratos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), uma estatal ligada a políticos do Centrão.

De acordo com a apuração da Folha de S.Paulo, a suspeita surgiu após agentes da PF analisarem conversas obtidas do celular do empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP, na época em que Juscelino era deputado federal.

Eduardo DP é apontado como o verdadeiro proprietário da Construservice, uma empresa que possui contratos milionários com a Codevasf, sendo financiados por emendas parlamentares. A empreiteira chegou a figurar como vice-líder em licitações da Codevasf e utilizou laranjas para participar de concorrências públicas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As mensagens analisadas pela PF reforçam a “atuação criminosa de Juscelino Filho” e demonstram que “sua função na Orcrim (organização criminosa) era conhecida por todos os membros” do suposto grupo liderado por Eduardo DP. Parte do relatório da PF afirma que “fica claro o relacionamento criminoso pactuado entre Juscelino Filho e Eduardo DP”.

Essas mensagens foram obtidas após a apreensão do celular de Eduardo DP em julho de 2022, durante a primeira fase de uma operação denominada Odoacro, que tinha como alvo apenas os contratos da Construservice financiados por emendas parlamentares. No entanto, em setembro, na terceira fase da operação, a irmã do ministro, Luanna Rezende, foi alvo de busca e apreensão da PF.

Juscelino passou a ser investigado por sua relação com as obras de pavimentação contratadas com a Construservice na cidade de sua irmã, as quais foram custeadas com dinheiro destinado por meio de emendas parlamentares indicadas por ele. Os investigadores alegam que os diálogos evidenciam uma relação de “proximidade e promiscuidade” e “intensa tratativa” sobre a execução de obras pagas com emendas.

Além disso, os contratos também beneficiaram propriedades do ministro, incluindo a pavimentação de uma estrada que leva a um haras de sua propriedade. A PF afirma que o ministro “obtém vantagens indevidas” por meio de transferências bancárias a intermediários e a uma empresa de fachada que seria de sua propriedade.

Em resposta às acusações, a assessoria do ministro divulgou uma nota assinada por seus advogados, alegando que não há nada ilegal nas obras financiadas por emendas parlamentares. A defesa enfatiza que “não há qualquer irregularidade nas obras, cujas emendas atendem a demandas da população” e que “todas as ações de Juscelino Filho foram lícitas”. Os advogados também consideram as acusações baseadas em “ilocações absurdas” construídas a partir de “supostas mensagens sem origem e fidedignidade conhecidas.”

A investigação sobre o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, continua em andamento, e seu desenrolar promete gerar impacto tanto na política nacional quanto na carreira do ministro.

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